Um monstro refém das insónias

Uma sombra que não dorme e fez de si um alvo de sedução e agressões

Alguém que acedeu aos seus dados pessoais

Uma transtornada, sem respeito pelas regras do privado e do convívio social

Uma histeria epilética a ameaçar-lhe vida e obra

Sufocada pelos vómitos de uma linguagem escatológica

Uma sonâmbula incestuosa gangrenada por traumas religiosos

Uma obcecada com imagens revoltantes e fantasmas sexuais com o próprio filho

Uma besta que lhe espezinha os afetos, contactos e hábitos

Um caso anormal, que lhe invade as amizades, envia emails em seu nomes e está, ano após ano, a pensar permanentemente em si

Uma mente perversa apostada em envenenar-lhe a existência

O diário de uma sedução falhada mergulhada no crime

Um ser disforme mascarado pela capa diária da normalidade

Um problema de saúde pública, avidamente ao seu lado, apenas à espera da noite, para voltar a atacar

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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Manuel Maria Carrilho, um dos rostos mais mediáticos de um longo percurso de perseguição e violência doméstica, "frio, arrogante e autoritário", é finalmente condenado, por injúrias, ameaças, ofensas à integridade física e agressão, a 50 000 € de indemnização, frequência de curso de reeducação, e pena de prisão de quatro anos e seis meses


"O tribunal “considerou que o arguido atuou para humilhar e maltratar física e psicologicamente a assistente [Bárbara Guimarães]”. Alguns dos crimes de Carrilho contra Bárbara Guimarães tiveram lugar “na presença dos filhos menores” ou “em sítios públicos”, “na presença de vizinhos”. O tribunal deu como provado que nas várias situações em que agredia Bárbara Guimarães, Carrilho “não se preocupava com o bem-estar dos filhos, manifestando a intenção de ameaçar a assistente”: “Manifestou visivelmente total indiferença pela integridade física e psicológica dos filhos”, diz a sentença, referindo-se nomeadamente às situações de entrega dos filhos, em que Carrilho insultava Bárbara Guimarães".

sábado, 18 de março de 2017

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