Um monstro refém das insónias

Uma sombra que não dorme e fez de si um alvo de sedução e agressões

Alguém que acedeu aos seus dados pessoais

Uma transtornada, sem respeito pelas regras do privado e do convívio social

Uma histeria epilética a ameaçar-lhe vida e obra

Sufocada pelos vómitos de uma linguagem escatológica

Uma sonâmbula incestuosa gangrenada por traumas religiosos

Uma obcecada com imagens revoltantes e fantasmas sexuais com o próprio filho

Uma besta que lhe espezinha os afetos, contactos e hábitos

Um caso anormal, que lhe invade as amizades, envia emails em seu nomes e está, ano após ano, a pensar permanentemente em si

Uma mente perversa apostada em envenenar-lhe a existência

O diário de uma sedução falhada mergulhada no crime

Um ser disforme mascarado pela capa diária da normalidade

Um problema de saúde pública, avidamente ao seu lado, apenas à espera da noite, para voltar a atacar

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sábado, 26 de março de 2016

Facebook e redes sociais: um novo palco para infernos de vingança, ameaça, perseguição e violência doméstica




"Primeiro pensou que era engano. Depois percebeu que não. O ex-marido publicara um anúncio num site pornográfico com o nome e o número dela. O telemóvel a tocar, a tocar. Precipitou-se para a GNR. “Nem conseguia controlar as minhas fezes, nem a minha urina, de tal maneira estava alterada.”

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Facebook altera a política do nome verdadeiro, para evitar o protagonismo de falsas personalidades, destinadas à perseguição e ao atentado contra os direitos do cidadão




 "Nesse sentido, a rede social criou uma nova forma de verificação de nome, com o utilizador a ter que indicar informação adicional quando denuncia uma conta por considerar que essa é falsa. Até agora, bastava denunciar o caso e o perfil era apagado caso se verificassem as suspeitas. A partir deste momento, quem apresenta a queixa terá de passar por vários passos e ser mais específico sobre o que levou à denúncia. Por sua vez, os utilizadores têm sete dias para aceder ao seu perfil enquanto a denúncia é analisada. Esta medida parece ser uma resposta às críticas feitas por alguns utilizadores de que ao serem apontados como tendo um perfil sob um nome falso estão, muitas vezes, a ser alvo de bullying ou perseguição online"

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Cyberstalking: do mais fundo da repulsa humana, à escatologia do olhar e da linguagem, ou os traços repugnantes de um monstro perseguidor obsessivo








"Segundo a psicanálise, as origens da histeria não remetem apenas à mãe, mas também ao pai: ambos podem criar as condições para que se desenvolva na filha ou no filho uma identidade que não é a deles própria. “A histérica é filha de uma outra histérica que não conseguiu valorizar sua própria feminilidade e, em conseqüência disso, teria transmitido uma visão de menos valia com relação ao corpo”, assinalam Silvia Alonso e Mário Fuks, professores do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo, no livro Histeria. Fermenta-se também a histeria quando o pai se omite de suas funções e não impõe os limites que ajudam a definir a identidade e os papéis sociais e sexuais dos filhos – deixa assim de realizar o que os psicanalistas chamam de castração simbólica. Pode agir desse modo por se assustar “com a possibilidade de que o reconhecimento da sexualidade de sua filha o conduza ao incesto”.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Maria Botelho Moniz, ou de como o sucesso de uma figura pública pode estar intrinsecamente ligado a um potencial caso de Stalking


O rosto das vítimas dos monstros sem rosto:

"O “Curto Circuito” vive muito dos comentários feitos pelos telespectadores em directo durante o programa da SIC Radical. As duplas de apresentadores já se habituaram a ignorar alguns dos conteúdos menos próprios que surgem nos ecrãs do estúdio, como ameaças, insultos ou propostas sexuais. Havia no entanto um comentador assíduo que chamou a atenção de Maria Botelho Moniz pelas mensagens repetitivas dirigidas só a ela. Inicialmente não passavam de insultos como, por exemplo, “és feia” ou “não tens talento”, mas depressa passaram a ameaças que se estenderam também à família: “Uma vez publiquei uma fotografia com a minha sobrinha e ele comentou a dizer que esta era a prova da pedofilia que eu praticava, aliado ao facto de apresentar um programa para público juvenil”, recorda. As mensagens, conta, passaram a ser às dezenas. Maria sentiu-se cada vez mais insegura e decidiu contactar a polícia. Entrou com um processo no Ministério Público no final de 2012, mas até agora a investigação não teve qualquer avanço, apesar de estar constantemente a actualizar o dossiê com as novas investidas do perseguidor. A identidade do stalker ainda é desconhecida, mas Maria Botelho Moniz desconfia tratar-se de um homem pelo teor das mensagens. Entre os vários estratagemas que arranjou para se aproximar da apresentadora, um deles foi certeiro. Criou um perfil falso no Facebook, de Conceição Lino, e adicionou vários amigos de Maria Botelho Moniz: “Uma deles caiu na esparrela e deu-lhe o meu número de telefone.” A partir daí acabou-se o sossego. “Chegou a ligar-me de três em três minutos durante duas horas seguidas.” De cada vez que atendia, silêncio absoluto: “E eu contei histórias, pus música, perguntava coisas, mas nunca me respondeu.” Sem perceber o que se estava a passar, a única explicação que Maria obteve foi através de uma mensagem publicada nas redes sociais: o assédio acontecia simplesmente “por gozo pessoal”. Actualmente o contacto é mais esporádico e a apresentadora sente-se, nas suas palavras, “estupidamente conformada”, por achar que nunca vai acontecer nada ao homem que a persegue há três anos. Nestes casos de stalking, as figuras mediáticas são alvos fáceis de perseguições, conta a psicóloga Tânia Paias: “Como parte das suas vidas é pública, o perseguidor começa a fantasiar possibilidades, acabando por acreditar que faz parte dessa realidade.”

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